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Encontraram-se num bar discreto, desses com iluminação parda e bancos altos próximos ao balcão. Eram amantes há apenas dois meses, porém se conheciam há cinco. Ele, um antiquário de idade avançada, dono de uma rede de lojas especializadas nessa atividade, casado, sem filhos; vestia-se bem, com elegância e discrição, e gostava de freqüentar cassinos.

Conheceram-se em Natal, onde o empresário erguera sua primeira loja, agora com filiais nos estados do Sudeste. Com a desculpa de visitar essas lojas, marcava encontros furtivos em São Paulo. O velho empresário respeitável, sempre discreto em suas ações, não queria que sua mulher soubesse da traição.

O encontro marcado naquele fim de tarde era para acertar os detalhes da viagem. Iriam para Nova Iorque. O dono dos antiquários visitaria algumas lojas em busca de objetos interessantes e valiosos. Para tornar a viagem mais agradável, iria a um cassino; como era de costume nas viagens ao país americano.

2º passo

Após passarem o início da noite juntos no apartamento alugado pelo empresário, foram para o aeroporto de madrugada. Chegaram em Nova Iorque ainda pela manhã. No hotel, um cinco estrelas famoso por receber os homens mais ricos do mundo, apresentaram-se como amigos. Iriam ficar em apartamentos separados, porém no mesmo andar, um ao lado do outro.

3º passo

Almoçaram no restaurante do hotel, um pouco apressados, pois teriam que percorrer algumas lojas do interesse do antiquário. O velho homem comprou pequenos objetos, não muito valiosos, apenas para usar como pretexto da viagem. No final da tarde, voltaram para o hotel. Precisavam descansar, pois a noite prometia muitas rodadas no cassino próximo à cidade.

4º passo

Jantaram num restaurante mais discreto para fugir dos hóspedes do hotel, muitos deles brasileiros. Em seguida, pegaram um táxi em direção ao cassino. Chegaram por volta das dez horas da noite. O empresário adorava jogar. Não chegava a ser um viciado, pois sabia a hora de parar, mesmo que não ganhasse uma quantia satisfatória. Gostava mesmo era do prazer de apostar. Por vezes, perdia tudo, todavia não desanimava: voltava na noite seguinte para tentar a sorte novamente. Contentava-se apenas em ganhar uma única vez. Nessa viagem, havia reservado um bom dinheiro para arriscar na roleta, sua diversão preferida. Passou a noite inteira jogando. Como de costume, às vezes ganhava, às vezes perdia. Já eram quase quatro horas da manhã quando resolveu que havia chegado o momento de parar. Na verdade, não sabia ao certo quanto tinha ganhado, mas sentia que naquela noite a sorte parecia estar do seu lado. Quando foi receber o prêmio, a surpresa: cem mil e duzentos dólares, três vezes mais do que tinha jogado.